A temperatura política em Brasília atingiu o ponto de ebulição nesta quinta-feira (12/03). O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou sua ofensiva contra a eleição de Erika Hilton (PSol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.
Pelo segundo dia consecutivo, o parlamentar mineiro utilizou suas redes sociais para convocar colegas mulheres a paralisarem as atividades do colegiado em protesto.
“As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão de mulheres acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso”, disparou Nikolas em sua conta no X (antigo Twitter). O deputado também iniciou a divulgação de um abaixo-assinado on-line intitulado “Pela Representatividade Feminina”, questionando a legitimidade de uma mulher trans no cargo.
A resposta de Erika Hilton
Do outro lado, Erika Hilton não recuou. Eleita na última quarta-feira sob forte resistência da ala conservadora, a deputada reafirmou que exercerá seu mandato e acusou os opositores de propagarem ódio. “Sob protestos dos LGBTfóbicos e dos defensores do ‘PL do Estupro’, assumi a presidência da Comissão da Mulher”, rebateu a parlamentar.
Para Hilton, a resistência de nomes como Nikolas demonstra a “gravidade da situação do país” diante de índices crescentes de feminicídio e misoginia.
Frente de batalha jurídica
Além do embate direto com Nikolas, Erika Hilton abriu outra frente de batalha: ela está processando o apresentador Ratinho, do SBT, por falas consideradas transfóbicas feitas em rede nacional sobre sua eleição. A deputada solicitou ao Ministério Público a investigação e a prisão do comunicador.
Enquanto Nikolas Ferreira aposta na estratégia de “obstrução e zorra” para forçar uma mudança na presidência, Erika Hilton conta com o apoio da base governista e de movimentos sociais para manter o controle da comissão, que promete ser uma das mais turbulentas deste ano legislativo.
Fonte: Metrópoles
Dirigido por ContilNet
