Federação de petroleiros atribui alta do diesel a aumentos abusivos

Economia

Federação de petroleiros atribui alta do diesel a aumentos abusivos
FUP critica privatização da BR Distribuidora no governo anterior

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Publicado em 18/03/2026 – 17:04

Rio de Janeiro

Posto de combustível
Posto de combustível

© José Cruz/Agência Brasil

Versão em áudio

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) voltou a criticar, nesta quarta-feira (18), “distorções estruturais” que, na visão da entidade, explicam a alta recente do preço do óleo diesel nos postos de combustíveis do país.  

Em um comunicado divulgado à imprensa, a entidade, que representa 14 sindicatos de trabalhadores da indústria de óleo e gás, apontou privatizações realizadas no governo passado e margens de lucro abusivas como principais motivos responsáveis pela escalada do preço.

No cenário em que o preço do petróleo dispara no mercado internacional por causa da guerra do Irã, a diretora da FUP, Cibele Vieira, considera que o momento atual é consequência direta da falta de controle público sobre a cadeia de combustíveis e da dependência externa.

“A Petrobras pode equilibrar preços na refinaria, mas não controla o que acontece depois. Sem distribuição pública e com parte do diesel sendo importado, abre-se espaço para aumentos abusivos ao longo da cadeia”, afirma a sindicalista em nota.

>> Siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp

Preço na bomba

A FUP aponta dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão federal regulador da indústria de óleo e gás, que revelam reajuste de 12% no preço médio do litro do diesel S10 (menos poluente) entre a primeira e a segunda semanas de março (dados mais recentes da ANP).

Na semana terminada no dia 7, o litro custava R$ 6,15, em média, valor que passou para R$ 6,89 na semana seguinte.

A FUP reconhece os esforços do governo federal para frear a escalada dos preços. Na última quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a redução a zero das alíquotas dos dois tributos federais que incidem na comercialização: o PIS e a Cofins.

Além disso, anunciou a subvenção de R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores do óleo.

Nesta quarta-feira, o governo propôs aos estados que zerem a alíquota do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre o diesel importado. 

As medidas são uma forma de suavizar os aumentos impulsionados pelo cenário internacional. O barril do óleo tipo Brent, referência internacional de preço, está sendo negociado a cerca de US$ 108 (cerca de R$ 564) nesta quarta-feira. Em um mês, o barril subiu cerca de 55%.

A pressão de alta chega ao mercado nacional pois o petróleo é uma commodity, ou seja, mercadoria negociada com base em preços internacionais. Além disso, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome.

Reajuste e paridade

No último sábado (14), a Petrobras reajustou o diesel A (vendido às distribuidoras) em R$ 0,38, indo a R$ 3,65 por litro. Os efeitos de alta na bomba ainda não foram medidos pela ANP.

De acordo com a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), nesta quarta-feira, o óleo diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava sendo negociado a um preço 59% abaixo da paridade internacional (comparação com o preço global). 

Desde 2023, a Petrobras segue uma política de preços que não repassa imediatamente as oscilações para o consumidor interno.

Para a FUP, mesmo que se esforce para não subir preços de forma abusiva, a Petrobras, principal vendedora do combustível no país, “não tem alcance sobre o preço final ao consumidor”.

Privatização

A FUP critica a privatização da então subsidiária BR Distribuidora, no governo passado, com a justificativa de otimizar o portfólio e melhorar a alocação do capital da Petrobras.

A compradora foi a Vibra Energia. A venda incluiu licença para a compradora manter a bandeira BR até 28 de junho de 2029. Ou seja, apesar de exibirem a marca BR, os postos espalhados pelo país não são de propriedade da companhia, que assinou também um termo de non-compete (sem competição, no jargão dos negócios), impedindo-a de concorrer com a Vibra. 

Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, enquanto a Petrobras busca proteger o país das oscilações internacionais, empresas privadas “repassam imediatamente qualquer alta ao consumidor”.

O dirigente sindical alerta para os efeitos em cadeia do aumento do diesel. “Quando o diesel sobe, não é só o combustível que encarece, mas também o transporte, os alimentos, a inflação. O aumento se espalha por toda a economia”, aponta.

Estreito de Ormuz

Desencadeadora do choque global de preços do petróleo, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã foi iniciada em 28 de fevereiro. Uma das formas de retaliação do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã. Por ali passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O gargalo na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200. 

Relacionadas

Caminhoneiros aguardam para descarregar no Porto de Santos (SP)

Governo propõe que estados zerem ICMS do diesel importado

Posto de combustível

Reajuste do diesel mostra limitações do mercado no Brasil, diz FUP

Edição:
Sabrina Craide

Compartilhe essa notícia

Continuar lendo

Destaques EBC

Radioagência
Clássico carioca marca sétima rodada do Brasileirão; confira

Rádios
Série “De quem é a música?’” destaca sambas e marchinhas de sucesso

TV Brasil
Encontro em Brasília debate futuro do esporte universitário

Mais notícias

Brazlândia (DF) - O paulista João Fukushi aprendeu com o pai os segredos da plantação do morango e se aventurou no Centro-Oeste a produzir a fruta (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brazlândia (DF) - O paulista João Fukushi aprendeu com o pai os segredos da plantação do morango e se aventurou no Centro-Oeste a produzir a fruta (Valter Campanato/Agência Brasil)

Economia
Agricultores com perda de produção começam a receber o Garantia-Safra

qua, 18/03/2026 – 18:48

Brasília (DF), 18/03/2026 - Novos selos do Inmetro entram em vigor e produtos com modelo antigo só podem circular até o fim de março. Foto: Inmetro/Divulgação
Brasília (DF), 18/03/2026 - Novos selos do Inmetro entram em vigor e produtos com modelo antigo só podem circular até o fim de março. Foto: Inmetro/Divulgação

Geral
Selos antigos do Inmetro para capacete, extintor e GNV vencem em março

qua, 18/03/2026 – 18:47

São Paulo (SP), 18/03/2026 - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participa de entrevista coletiva para falar sobre Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 - UTEs a Gás Natural, Carvão Nineral e UHEs, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e Ministério das Minas e Energia. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 18/03/2026 - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participa de entrevista coletiva para falar sobre Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 - UTEs a Gás Natural, Carvão Nineral e UHEs, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e Ministério das Minas e Energia. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Economia
Governo endurece fiscalização contra reajuste indevido de combustíveis

qua, 18/03/2026 – 18:41

Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Brasília (DF), 26/10/2023, Prédio do Banco Central em Brasília. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Economia
BC reduz juros básicos para 14,75% ao ano

qua, 18/03/2026 – 18:35

O ministro Gilmar Mendes, durante julgamento da  validade de prisão em segunda instância
O ministro Gilmar Mendes, durante julgamento da  validade de prisão em segunda instância

Justiça
Regras do ECA Digital acabam com desordem normativa, diz Gilmar Mendes

qua, 18/03/2026 – 18:19

São Paulo (SP), 18/03/2026 - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participa de entrevista coletiva para falar sobre Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 - UTEs a Gás Natural, Carvão Nineral e UHEs, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e Ministério das Minas e Energia. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
São Paulo (SP), 18/03/2026 - Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, participa de entrevista coletiva para falar sobre Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 - UTEs a Gás Natural, Carvão Nineral e UHEs, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e Ministério das Minas e Energia. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

Economia
Leilão contrata 19 mil MW em leilão histórico para reserva energética

qua, 18/03/2026 – 18:13

Ver mais
seta para baixo

Fonte: Agencia Brasil

PUBLICIDADE

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.