Buraco negro do centro da Via Láctea cospe bolhas, descobre James Webb

Bolhas são explosões ou labaredas como as que o nosso Sol libera durante tempestades solares

Por Marina, ContilNet 21/02/2025 às 13:25
Buraco negro do centro da Via Láctea cospe bolhas, descobre James Webb. Foto: Reprodução

Usando o Telescópio Espacial James Webb, cientistas da Universidade Northwestern descobriram que o buraco negro supermassivo do centro da Via Láctea — Sagittarius A*, ou Sgr A* — “sopra” bolhas cósmicas constantemente. Elas são, na verdade, explosões ou labaredas como as que o nosso Sol libera durante tempestades solares, muito maiores do que imaginamos.

Buraco negro do centro da Via Láctea cospe bolhas, descobre James Webb

Buraco negro do centro da Via Láctea cospe bolhas, descobre James Webb. Foto: Reprodução

Algumas dessas bolhas duram poucos segundos, mas, todos os dias, Sgr A* solta labaredas muito brilhantes e energizadas: mesmo as mais fracas podem durar meses a fio. Segundo o líder da pesquisa, Farhad Yusef-Zade, é esperado que buracos negros soltem bolhas, mas nosso protagonista da galáxia é especial, sendo muito, muito ativo.

Sagittarius A* e suas bolhas

A equipe de Yousef-Zade observou Sgr A* ao longos dos anos de 2023 e 2024 e notou que, a cada observação, o cenário do buraco negro mudava. A matéria ao redor de buracos negros supermassivos como ele forma nuvens de gás achatadas conhecidas como “discos de acreção” — o disco de Sgr A* brilhava até seis vezes por dia durante as análises científicas, com sub-labaredas menores entre as grandes bolhas luminosas.

O comportamento não tinha um padrão, sendo bastante aleatório, algo ainda misterioso para a equipe. Eles compararam o disco de acreção a um rio: pequenas e curtas bolhas são como ondas diminutas na superfície da água, enquanto as grandes labaredas são como uma onda de maré enorme. Tais eventos são poderosos o suficiente para comprimir plasma e gerar sopros de radiação temporários.

Os pesquisadores acreditam que fenômenos como os de reconexão magnética podem estar acontecendo no Sgr A*. Neles, dois campos magnéticas colidem e aceleram partículas carregadas até velocidades próximas da luz, causando a emissão de golfadas de radiação brilhantes. Para observar isso, foram usadas as câmeras de luz quase-infravermelha (NIRCam) do James Webb.

O equipamento consegue ver dois comprimentos de onda de luz infravermelha ao mesmo tempo, notando o quanto o brilho de cada uma muda com as bolhas. Isso revelou que eventos de radiação de onda curta mudaram antes dos eventos de ondas longas, o que surpreendeu os cientistas: é a primeira vez que uma diferença de tempo é notada em medições desses comprimentos de onda.

Isso, acredita-se, pode ser por conta da perda de energia de partículas aceleradas à medida que as bolhas evoluem: comprimentos de onda mais curtos perdem energia mais rápido. A equipe, agora, busca explorar o Sgr A* por mais tempo, mais especificamente, 24 horas seguidas, o que terá de ser aprovado de antemão, já que diversos cientistas lutam pela chance de usar o bilionário telescópio.

Conteúdo Original / Fonte: CanalTech

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