A decisão da Federação União Progressista, formada pela junção de União Brasil e Progressistas (PP), de adotar postura de neutralidade na corrida pela Presidência da República contrasta com as composições desenhadas nos estados. Um levantamento com base nas atas das convenções partidárias mostra que o grupo abriu palanque e firmou coligações com o PL, do senador Flávio Bolsonaro, em 11 unidades da Federação, incluindo o Acre.
No cenário acreano, a aliança local materializa esse alinhamento. A governadora Mailza Assis (PP) disputa a reeleição ao Poder Executivo pela coligação “Avança Acre”, estrutura que reúne a União Progressista, o PL e legendas como MDB, PDT, Democrata e a Federação Renovação Solidária. O palanque abriga ainda nomes tradicionais da política estadual na disputa ao Senado, como o ex-governador Gladson Camelí (PP) e o senador Márcio Bittar (PL).
A neutralidade no âmbito federal foi oficializada pelo União Brasil durante convenção nacional. Segundo o presidente da sigla e co-comandante da federação, Antonio Rueda, o posicionamento considerou o peso político da aliança e a busca por autonomia nas negociações. Na prática, a diretoria liberou os filiados regionais para articular acordos conforme a conveniência dos cenários locais.
O movimento reproduz uma tática comum entre agremiações de centro. Ao evitar a vinculação oficial a um candidato a presidente antes da abertura das urnas, os dirigentes garantem margem de manobra para negociar espaços na futura gestão e manter trânsito com o Congresso Nacional, independentemente de quem venha a vencer o pleito.
Além do Acre, a aproximação entre a União Progressista e o PL se repete em Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins. Nesses locais, os acordos variam entre cabeças de chapa próprias, indicações de vice e apoio a candidaturas ao Senado ou ao governo estadual.
Por outro lado, o alinhamento com a oposição nacional ao bolsonarismo ocorre em proporção menor. A federação fechou coligação com o PT ou com a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) em apenas quatro estados: Amapá, Pará, Paraíba e Sergipe. Em outras 12 unidades federativas, a União Progressista preferiu caminhos alternativos, lançando nomes próprios ou fechando com blocos sem a participação direta das duas principais forças da política nacional.
