14/08/2026

Saída de Gonzaga do páreo prejudica – e muito – a chapa do MDB

Se antes havia a expectativa de que o MDB elegesse três deputados, agora a chance é de que eleja apenas dois

Por Everton Damasceno, ContilNet
Deputado Luiz Gonzaga/Foto: Juan Diaz/ContilNet

Há quem aposte que a desistência do deputado estadual Luiz Gonzaga de concorrer à reeleição dê mais condições aos outros candidatos da chapa do MDB que estão disputando uma cadeira na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac).

Mas, na verdade, a saída do experiente parlamentar da chapa prejudica — e muito — o sonho do MDB de conquistar pelo menos três cadeiras nas eleições de 2026.

Vamos lá

A capilaridade política de Gonzaga, que faz parte da Mesa Diretora da Aleac e é um dos parlamentares mais atuantes e presentes das últimas legislaturas, serviria — e muito — para que o partido alcançasse um coeficiente que lhe desse condições de abocanhar mais cadeiras na Casa do Povo.

Três vagas?

Se antes havia a expectativa de que o MDB elegesse três deputados, agora a chance é de que eleja apenas dois, pelo que escutei de pessoas experientes que manjam desses cálculos eleitorais.

“São mais de 6 mil votos a menos na chapa, contando por baixo. Isso faz com que o partido dê adeus à terceira cadeira”, disse uma fonte experiente de dentro do glorioso.

Para situar

Gonzaga abriu mão da disputa porque se sentiu desprestigiado pelo governo, afirmando que os recursos e toda a estrutura estão sendo direcionados para algumas candidaturas específicas.

“Disputa desigual”

“Porque hoje a estrutura do governo do Estado está indo só para alguns parlamentares, inclusive para pessoas que nem mandato têm. Então, isso fica muito difícil, porque fica uma disputa desigual. Uns têm secretaria de porteira fechada, outros têm várias secretarias. Pessoas que nem são candidatas, nem têm mandato, também estão sendo muito beneficiadas…”. Quem disse isso foi o próprio Gonzaga, em entrevista ao ContilNet.

Merece ser bem tratado

Entendo que eleger prioridades é algo inevitável quando o assunto é eleição, mas o governo talvez tenha errado — e até um bocado — ao deixar uma figura tão importante como Gonzaga sair do barco dessa forma.

Ele merecia um tratamento diferente, pois tem uma densidade eleitoral que faz diferença em qualquer campanha.

Não foi falta de aviso

Gonzaga vinha, há semanas, mostrando insatisfação e parece que não foi ouvido. Não foi falta de aviso. Também faltou um pouco de interlocução dentro do próprio MDB. É o que escutei de algumas figuras de lá e do entorno do deputado.

É preciso evitar danos

Neste momento tão decisivo e importante, especialmente na disputa pelo governo, é imprescindível evitar danos que possam fragilizar as bases, porque o recrutamento está acontecendo a pleno pulmão. Qualquer candidato ao governo quer ter um Gonzaga ao seu lado.

Foi para o barco do Alan?

Especulações apontam que Gonzaga embarcou com tudo na pré-candidatura do vereador Zé Lopes (Republicanos) e decidiu apoiar Alan Rick ao governo. Questionado sobre isso por este colunista, o deputado se reservou a falar apenas sobre a desistência de concorrer à reeleição, mas fontes próximas a ele revelam que o anúncio está prestes a acontecer. Deve anunciar apoio ao senador, que é o maior adversário de Mailza.

Voltando à chapa do MDB…

Por lá, a aposta é que o partido eleja, quase com certeza, os deputados Tanízio Sá e Antonia Sales. A terceira vaga seria resultado de uma disputa entre Gonzaga e Marcus Alexandre. Com a saída do deputado, a coisa não ficou fácil para o ex-prefeito de Rio Branco, que é visto como uma peça do tabuleiro que, sozinha, não seria capaz de garantir uma terceira vaga ao partido na Aleac.

Ney Amorim desperta ciúmes

Quem tem crescido muito nas ruas e dado bastante fôlego à campanha é o ex-secretário Ney Amorim, que é amigo da governadora Mailza e tem apoio claro do governo ao seu projeto de conquistar uma vaga na Câmara Federal em 2026.

O avanço de Ney tem gerado ciúmes dentro e fora do partido. Escutei de um candidato de um dos partidos da base: “É mais um contra quem a gente deve lutar nessa disputa”.

A coisa está cada vez mais complicada

Está chegando o momento da campanha oficial. Quem vence é quem tem mais estrutura, sem dúvida. Não basta dizer que “o povo vai escolher o que é melhor” e confiar apenas nisso. É preciso gastar muita sola de sapato e construir redes. Os próximos dias serão decisivos.

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