O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino manteve, por tempo indeterminado, o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto (Podemos), investigado por suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos da saúde. A decisão foi tomada neste sábado (2) em caráter monocrático, sem depender de outros ministros.
No despacho, o ministro apontou que o retorno do vice-prefeito ao cargo poderia comprometer o andamento das investigações. Segundo ele, há risco de interferência direta nos trabalhos, além da possibilidade de uso da função pública para obtenção de vantagens indevidas.
NotĂcias relacionadas:ApĂłs ser afastado pelo STF, prefeito de Macapá renuncia ao cargo.Dino afasta prefeito e vice de Macapá por suspeita de desvio de verba .”NĂłs vamos derrotar as mentiras”, diz Lula em Macapá.Dino atendeu a pedido da Procuradoria-Geral da RepĂşblica e da PolĂcia Federal. Na decisĂŁo, o ministro ressaltou que a prorrogação do afastamento nĂŁo tem prazo definido e permanecerá válida atĂ© que cessem os fatores que justificaram a medida cautelar.
Outros afastados
A decisão também mantém afastados a secretária municipal de Saúde, Érica Aymoré, e o presidente da comissão de licitação, Walmiglisson Ribeiro. Os investigados seguem proibidos de acessar prédios públicos e sistemas da administração municipal.
O descumprimento das medidas pode levar à adoção de novas restrições, incluindo eventual prisão preventiva, segundo o ministro.
Operação Paroxismo
Mário Neto está afastado desde março, apĂłs a segunda fase da Operação Paroxismo, conduzida pela PolĂcia Federal. A investigação apura um suposto esquema de direcionamento de licitações, desvio de recursos pĂşblicos e lavagem de dinheiro na área da saĂşde.
Entre os elementos considerados na decisĂŁo estĂŁo pagamentos considerados atĂpicos, realizados apĂłs o afastamento da cĂşpula da prefeitura, que somam cerca de R$ 3,3 milhões a empresas. TambĂ©m foram citados relatos de retirada de equipamentos, dificuldades de acesso a documentos e alterações administrativas que teriam prejudicado a gestĂŁo interina.
A Operação Paroxismo tem como um dos principais focos a construção do Hospital Geral Municipal de Macapá, orçada em cerca de R$ 70 milhões. A PolĂcia Federal investiga se contratos ligados Ă obra foram manipulados para favorecer empresas e gerar enriquecimento ilĂcito de agentes pĂşblicos e empresários.
TambĂ©m há apuração sobre o possĂvel desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao municĂpio entre 2020 e 2024.
Contexto polĂtico
Mário Neto está afastado do cargo desde o inĂcio de março, apĂłs a segunda fase da Operação Paroxismo. Na ocasiĂŁo, Dino tambĂ©m retirou do cargo o entĂŁo prefeito de Macapá, AntĂ´nio Furlan.
Após o afastamento, Furlan renunciou à prefeitura para concorrer a governador do Amapá nas eleições deste ano. A Constituição determina a renúncia do cargo de prefeito como exigência legal para disputar a chefia do Executivo do Estado. Sem o prefeito e o vice, a administração municipal segue sob comando interino do presidente da Câmara de Vereadores.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil



