Um adolescente indígena de 16 anos foi agredido por um homem apontado como segurança de um estabelecimento comercial em Tarauacá, no interior do Acre. O caso ganhou repercussão após imagens da agressão serem compartilhadas nas redes sociais e em grupos de mensagens nesta terça-feira (11).
Segundo informações que acompanham o vídeo, o adolescente teria sido apontado como suspeito de retirar uma bicicleta que estava em frente a um estabelecimento comercial. O segurança teria localizado o jovem e o conduzido de volta ao local onde a bicicleta havia sido retirada.
Após a devolução do objeto, já na área externa do estabelecimento, o homem teria se aproximado do adolescente e o derrubado com uma rasteira. Em seguida, conforme mostram as imagens, passou a agredi-lo com chutes. Pessoas que estavam nas proximidades registraram a situação.
O caso provocou repercussão entre moradores e também mobilizou entidades ligadas à defesa dos direitos dos povos indígenas. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Coordenação Regional Juruá, divulgou uma nota de repúdio à agressão.
Funai repudia violência
Na manifestação, a Funai afirmou que uma eventual suspeita de furto não justifica o uso de violência física ou qualquer tratamento degradante contra uma pessoa.
“A eventual suspeita ou prática de um furto não autoriza ninguém a espancar, humilhar ou submeter outra pessoa a tratamento cruel e degradante. A apuração de um possível crime deve ocorrer pelos meios legais e pelas autoridades competentes”, destacou a instituição.
A Funai também ressaltou que a Constituição Federal assegura a dignidade, a integridade física e a igualdade de todas as pessoas, além de estabelecer a proteção aos direitos dos povos indígenas.
“Ser indígena não diminui direitos, não reduz a dignidade e não torna ninguém menos merecedor de proteção e justiça”, afirmou a Coordenação Regional Juruá.
Ao finalizar a nota, a instituição declarou que continuará atuando, dentro de suas competências, para que casos de violação de direitos de pessoas indígenas não sejam silenciados ou naturalizados.
“A suspeita de um delito não autoriza a prática de outro”, concluiu a Funai.
As circunstâncias do caso e eventuais responsabilidades ainda deverão ser apuradas pelas autoridades competentes. O espaço permanece aberto para manifestação do segurança envolvido e da empresa responsável pelo estabelecimento.
