Rio Branco, Acre,


Suspeita presa pela morte de mulher grávida compartilhou postagem sobre desaparecimento

Polícia vai investigar a postagem. Corpo da grávida, que tinha 24 anos, foi encontrado na manhã de sexta-feira com ferimentos na parte inferior da barriga, sem o bebê

A mulher presa na sexta-feira (28) suspeita pela morte de uma mulher grávida que estava desaparecida em Canelinha, na Grande Florianópolis, compartilhou em sua rede social postagens pedindo ajuda para localizar a vítima. A mais recente delas foi divulgada por volta das 6h30, horas antes de a vítima ser localizada. As postagens serão investigadas pela Polícia Civil.

O corpo da vítima, de 24 anos, foi sepultado na manhã deste sábado (29), no Cemitério Municipal de Canelinha.

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Ela foi encontrada morta na manhã de sexta-feira com ferimentos na parte inferior da barriga, sem o bebê, em uma cerâmica desativada localizada no bairro Galera. A polícia suspeita é que uma amiga da vítima tenha feito uma emboscada para cometer o assassinato e ficar com a recém-nascida. A criança estava internada no Hospital Infantil de Florianópolis até a noite de sexta.

O nome da grávida morta não foi divulgado pelo G1 SC pois há risco que se chegue assim à identidade da recém-nascida, que tem o direito à preservação da identidade garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Um homem também foi preso em flagrante e está sendo investigado pelo crime. Os dois suspeitos passaram por exames no Instituto Geral de Perícias (IGP) e serão levados para o presídio de Tijucas, na Grande Florianópolis. A identificação do casal não foi divulgada por causa da Lei de Abuso de Autoridade.

O laudo com a causa da morte ainda não foi concluído. De acordo com o delegado Paulo Alexandre Freyesleben e Silva, o documento deve apontar se a vítima já estava morta quando a barriga foi cortada para retirar o bebê.

A criança encontrada com a suspeita será submetida ao exame de DNA para confirmar o vínculo biológica com a mulher encontrada morta. Segundo o delegado, o IGP já fez coleta na placenta e fará a coleta do bebê.

Os médicos que atenderam a suspeita já foram ouvidos pela polícia. Segundo Freyesleben e Silva, outras pessoas para quem a investigada teria pedido ajuda para fazer o suposto parto ainda serão ouvidas.

“[Os médicos] foram unânimes em apontar que ela [a suspeita do crime] não tinha indicativo algum de parto recente. Serão ouvidos nos próximos dias os rapazes que auxiliaram a autora, quando ela alegou que havia acabado de ter o bebê”, disse o delegado.

Postagens

Ela estava desaparecida desde a tarde de quinta-feira (27), e amigos se mobilizaram nas redes sociais para tentar localizá-la. Jeisiane Benevenute, amiga de infância da vítima, escolhida para ser a madrinha do bebê, foi quem publicou uma das postagens divulgadas pela mulher investigada.

A primeira postagem foi compartilhada por volta das 23h30 de quinta-feira, aproximadamente uma hora depois da publicação. A mesma postagem foi novamente divulgada no perfil da mulher investigada 1h59 da madrugada desta sexta-feira.

Por volta das 6h30 de sexta-feira, uma nova postagem foi compartilhada pela suspeita. A mensagem, publicada pela amiga de infância da vítima, dizia que a mulher grávida havia saído de casa para ir a um chá de bebê surpresa e não teria voltado para casa. A última visualização no aplicativo de mensagem teria sido às 15h48.

De acordo com o delegado Paulo Alexandre Freyesleben e Silva, as publicações foram mencionadas pela mulher suspeita durante depoimento. As postagens serão incluídas no inquérito.

“Relatou que foi uma forma de não chamar atenção para ela, uma forma de demonstrar preocupação. Pois ela não contava que a vítima seria localizada, ela iria inventar a história que viu a vítima saindo com desconhecidos. Achou que iria demorar dias até a localização”, afirmou.

Conforme informou o delegado, a polícia investiga ainda se a suspeita chegou a entrar em contato com outras gestantes além da vítima.

“Estamos aguardando decisão judicial que autorize o acesso ao telefone celular dela. Vamos apurar também se ela sondou outras grávidas do município, através de conversas em aplicativos”, disse.

Jesiane contou que a suspeita chegou a conversar com ela entre a madrugada e a manhã desta quinta-feira, por meio de mensagem, sobre o desaparecimento e mandou fotos de um bebê que supostamente seria filha dela.

“Ontem [quinta], ela disse que tinha combinado com a [nome da vítima] que ia entregar um presente, mas a [nome da vítima], pelo o que eu entendi, falou para a mãe dela que essa moça insistiu que ainda ia ter o chá surpresa. Mas ninguém se tocou de perguntar pra mais gente, ninguém suspeitava que ela ia fazer isso”, afirmou.

De acordo com Josiane, a vítima não era amiga da suspeita. “Elas conversavam porque as duas estavam grávidas. Negócio de chá começou a virar moda, esses chás surpresas, e ela tinha convidado para esse bendito chá”, disse.

Segundo uma amiga da vítima informou ao G1 SC, o nascimento da menina estava previsto para 22 de setembro.

Crime teria sido premeditado

O delegado Paulo Alexandre Freyesleben e Silva afirmou que a suspeita alegou ser amiga de Flávia há muitos anos. De acordo com ele, as informações reunidas na investigação até o momento apontam para um crime premeditado por dois meses.

“O relato que ela [a suspeita] nos deu foi o seguinte. Ela engravidou em outubro do ano passado, perdeu esse bebê em janeiro deste ano e não relatou absolutamente nada para a família, inclusive ao marido, segundo ela. Ela manteve a alegação da gravidez e cerca de uns quatro ou cinco meses após esse abortamento que ela teve, ela começou já a cogitar o homicídio da vítima em razão da coincidência de prazos da gestação e da proximidade”, afirmou.

Com alegação de que levaria a vítima para o chá de bebê, ela teria levado a mulher grávida até a cerâmica abandonada e dito a ela que as pessoas logo chegariam ao local, segundo relatou o delegado. A suspeita teria golpeado a vítima, que estava de costas para ela, com uma tijolada na cabeça e teria dado outros golpes pelo corpo.

“A vítima ficou inconsciente. Ela [a investigada] armou-se com o estilete e fez um corte extraindo a criança do ventre da mãe. A perícia vai poder nos informar se a mãe ainda estava viva”, afirmou.

A suspeita teria dito à polícia que o marido estava entusiasmado com a gravidez e já teria feito o quarto da criança. Conforme Silva, a investigada afirmou que estava sozinha no local, mas a polícia não descarta a hipótese de que o marido esteja envolvido no crime. Ele foi autuado em flagrante, segundo o delegado.

“A suposta gravidez, que ocorreu realmente dela, foi em outubro do ano passado. Em praticamente um mês e meio, fecharia quase um ano de gravidez. Então, a história dele, para nós, levanta muita dúvida em relação à participação dele no crime. Ele alega que não participou e ela alega que fez tudo sozinha”, disse.

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