Chef acreana rebate críticas sobre preço do tacacá em São Paulo e fala em resistência cultural

Amanda Vasconcelos responde comentário que chamou custo do tacacá de “assalto”

A empresária e chef de cozinha Amanda Vasconcelos usou as redes sociais, neste sábado (7), para se posicionar após críticas ao preço do tacacá servido em seus estabelecimentos na capital paulista. A resposta veio depois que um internauta classificou o valor de R$ 40 como “um assalto” e afirmou que o prato só seria consumido por quem “não conhece” a culinária amazônica. Em um texto firme e reflexivo, Amanda destacou que o debate vai além do preço e toca diretamente na desvalorização do trabalho alheio e na desinformação sobre os custos de empreender fora da região de origem.

A empresária e chef de cozinha Amanda Vasconcelos usou as redes sociais para se posicionar após críticas ao preço do tacacá

Foto: Reprodução/Redes sociais

“Mas o ponto nem é esse. O ponto é como as pessoas se sentem confortáveis em desmerecer trabalho alheio sem fazer o mínimo esforço de entender o contexto”, escreveu a chef, ao reforçar que ninguém é obrigado a consumir ou achar barato, mas que o respeito deveria ser regra básica.

Na publicação, Amanda detalhou os bastidores que envolvem levar a culinária amazônica para São Paulo, citando fatores como pesquisa de fornecedores, logística complexa, pagamento de equipe, aluguel elevado na capital paulista, impostos, equipamentos, testes de receita, desperdício e riscos diários. Segundo ela, reduzir tudo isso ao custo dos ingredientes é ignorar a realidade do empreendedorismo gastronômico.

“Empreender, principalmente com comida regional fora da sua própria terra, é resistência cultural também. É segurar a bandeira de um sabor, de uma memória e de uma identidade, mesmo quando é mais difícil, mais caro e mais trabalhoso”, destacou.

A empresária e chef de cozinha Amanda Vasconcelos usou as redes sociais para se posicionar após críticas ao preço do tacacá

Chef de cozinha detalha que preços dos componentes do tacacá podem ser elevados pelo transporte. Foto: Reprodução

A chef também fez um convite à reflexão antes de rotular um produto como caro: “De onde vem? Como chega? Quanto custa manter isso existindo aqui?”. Para ela, optar por não consumir é legítimo, mas desqualificar o trabalho de quem empreende é desnecessário. Ao final, Amanda reafirmou o compromisso com a culinária amazônica e com o público que valoriza essa proposta. “Seguimos. Trabalhando, resistindo e servindo tacacá fresquinho em plena selva de pedra”, concluiu, mencionando seus espaços @tucupidocentro e @sobradotucupi.

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