A escalada da guerra no Oriente Médio já provoca reflexos no mercado internacional de energia e começa a gerar preocupação também no Acre. Com o barril de petróleo acima de US$ 100, cresce a pressão sobre toda a cadeia de combustíveis, em um cenário que pode resultar em reajustes nas bombas nos próximos dias.
A alta é impulsionada pelo agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em uma região considerada estratégica para a produção e o escoamento mundial de petróleo. Diante do risco de novos confrontos e possíveis dificuldades logísticas, o mercado reage com aumento no preço da commodity, o que amplia o temor de impactos sobre a economia global.
Além das reservas concentradas no Oriente Médio, a atenção internacional se volta ao Estreito de Hormuz, corredor marítimo por onde passa parte significativa do petróleo comercializado no planeta. Qualquer ameaça à circulação nessa área tende a elevar os custos e aumentar a instabilidade no setor energético.
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No Acre, esse movimento já começa a ser sentido pelos revendedores. Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Acre, o Sindepac, informou que o setor acompanha de perto os desdobramentos da crise internacional e relatou que já houve dois reajustes lineares repassados pelas distribuidoras, tanto na gasolina quanto no diesel.
Segundo a entidade, os aumentos somados chegam a 35 centavos por litro na compra de novos estoques. Embora ainda não exista anúncio oficial de reajuste por parte da Petrobras, o sindicato afirma que o repasse já ocorre na prática ao longo da cadeia de abastecimento.
Com isso, a expectativa é de que as mudanças comecem a aparecer nas bombas ainda nesta semana, à medida que os postos adquirirem novos volumes junto às distribuidoras. O impacto final ao consumidor, porém, ainda não pode ser calculado com precisão.
O Sindepac destacou que os postos revendedores são a etapa final da cadeia de comercialização e não têm controle sobre os valores que chegam reajustados. A entidade ressaltou ainda que o preço cobrado ao consumidor depende de uma série de fatores, entre eles frete, logística, política das distribuidoras e custos operacionais.
A valorização do petróleo, provocada pelo avanço da crise no Oriente Médio, também traz efeitos indiretos para além dos combustíveis. Especialistas apontam que a alta do barril costuma pressionar custos de transporte, produção e distribuição, o que pode impactar preços em diversos setores da economia.
Ao comentar o cenário, o presidente do Sindepac, Delano Lima, reforçou que o setor acreano monitora a situação com atenção, diante de um ambiente internacional ainda marcado por forte instabilidade e reflexos imediatos sobre o abastecimento e os custos.
