12/08/2026

Mais de 20 milhões de brasileiros têm doença renal crônica

Estudo aponta falhas no rastreamento de pacientes de alto risco e alerta para o diagnóstico tardio

Por Redação ContilNet
Doença renal crônica se tornará a quinta maior causa de morte no mundo até 2050/Foto: Reprodução

Mais de 20 milhões de brasileiros convivem com doença renal crônica (DRC), mas uma parcela significativa pode nem saber que tem o problema. Um estudo realizado com mais de 14 mil pessoas identificou falhas na realização de exames capazes de detectar a doença ainda nos estágios iniciais, quando medidas de prevenção podem ajudar a preservar a função dos rins. As informações estão na Agência Brasil.

A pesquisa, realizada em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, analisou principalmente pacientes considerados de maior risco para a DRC, especialmente pessoas com diabetes e hipertensão.

Os pesquisadores observaram que dois exames fundamentais para o rastreamento — creatinina no sangue e albuminúria, que identifica a presença de proteína na urina — ainda são pouco solicitados na prática clínica.

O dado mais preocupante aparece na combinação dos exames: menos de 5% dos participantes que fizeram o teste de creatinina também tiveram a albuminúria solicitada. Mesmo após uma campanha nacional de rastreamento, esse percentual permaneceu abaixo de 7%.

Doença pode avançar sem dar sinais

A doença renal crônica costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais. Por isso, quando os primeiros sintomas aparecem, a função dos rins já pode estar comprometida.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia, mais de 170 mil brasileiros dependem atualmente de terapia renal substitutiva, conforme o Censo Brasileiro de Diálise de 2024. O estudo, porém, alerta que esse número pode não representar toda a dimensão do problema, justamente pela dificuldade de identificar os casos precocemente.

A detecção antecipada permite controlar fatores de risco e adotar medidas para preservar os rins, além de diminuir complicações cardiovasculares e, em alguns casos, retardar ou até evitar a necessidade de diálise.

Diabetes e pressão alta estão entre os principais riscos

Entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença estão diabetes, hipertensão, obesidade, idade avançada, doenças cardiovasculares, histórico familiar de doença renal, tabagismo e uso de medicamentos ou outras substâncias que podem afetar os rins.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença renal crônica poderá se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040.

Diante do avanço silencioso da doença, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico e do controle de fatores de risco, principalmente entre pessoas com diabetes e pressão alta.

Conteúdo Original / Fonte: Agência Brasil

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