O avanço da mosca-varejeira-do-Novo-Mundo, conhecida cientificamente como Cochliomyia hominivorax, voltou a preocupar as autoridades sanitárias do México. Boletins epidemiológicos do país já registraram mais de 500 casos de infestação em humanos provocada pelas larvas do inseto.
A doença é chamada de miíase. Ela ocorre quando a mosca deposita ovos principalmente em feridas abertas, mucosas ou cavidades naturais, como nariz, boca, olhos e ouvidos. Após eclodirem, as larvas penetram na lesão e passam a se alimentar de tecido vivo.
Um estudo publicado pela revista científica Emerging Infectious Diseases, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), apontou uma aceleração das notificações no México entre 2025 e o início de 2026.
A pesquisa analisou 204 casos confirmados entre abril de 2025 e março de 2026. Desse total, 202 tinham informações suficientes para uma avaliação detalhada. Durante 2025, a média foi de três registros semanais. Nas dez primeiras semanas de 2026, o índice subiu para 9,1 casos por semana.
Os registros analisados estavam concentrados principalmente no sul mexicano, com maior incidência em Chiapas, seguido por Yucatán, Oaxaca e Quintana Roo. Até março, 12 dos 32 estados do país já haviam confirmado pacientes.
Entre as pessoas avaliadas, 71,8% eram homens e a idade média chegava a 61 anos. As pernas foram as regiões mais atingidas, concentrando 55% das infestações. Além disso, mais de três quartos dos pacientes apresentavam alguma condição de saúde associada.
Mortes exigem cautela na interpretação
O estudo registrou seis mortes entre os pacientes diagnosticados com a infestação. No entanto, até a conclusão da análise, apenas uma havia sido atribuída diretamente à miíase causada pela mosca. Portanto, não é correto afirmar que todas as mortes ocorreram em consequência exclusiva das larvas.
A infestação não funciona como uma doença contagiosa transmitida diretamente de uma pessoa para outra. O problema começa quando a mosca encontra uma ferida ou abertura corporal e deposita os ovos no local.
Entre os principais sinais estão dor, piora rápida de feridas, sangramento, odor forte e sensação de movimento na lesão. Também podem ocorrer febre e calafrios quando há infecção bacteriana associada.
Pessoas idosas, pacientes com feridas crônicas, dificuldades de mobilidade ou doenças que comprometem a cicatrização aparecem entre os grupos mais vulneráveis. O tratamento exige atendimento médico, retirada completa das larvas, limpeza da área atingida e controle de possíveis infecções.
A Cochliomyia hominivorax havia sido eliminada do México em 2003, mas voltou a ser identificada no país após a expansão de um surto iniciado na América Central. A espécie também está presente em áreas tropicais da América do Sul.
