Uma experiência que une cinema, realidade virtual, espiritualidade e educação ambiental chamou a atenção de quem passou pelo estande do Sebrae durante a Expoacre. No espaço, a IRI Brasil apresentou o filme imersivo “Amazônia Viva”, produção que utiliza a tecnologia para aproximar o público das discussões sobre preservação da floresta e defesa da vida.
Quem apresentou a iniciativa durante a feira foi a jornalista acreana Jane Vasconcelos, que explicou que a IRI Brasil — Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais — atua justamente na conexão entre educação ambiental, espiritualidade e diferentes comunidades.
Segundo Jane, uma das estratégias do projeto é utilizar o cinema para levar informação a públicos diversos. O filme “Amazônia Viva” está disponível em português, inglês, francês, espanhol e Libras, ampliando o acesso à experiência.
“Nós somos uma iniciativa inter-religiosa que defende as florestas tropicais. Uma estratégia nossa é esse filme em 3D, chamado ‘Amazônia Viva’. Nós temos ele em português, inglês, francês, espanhol e Libras. Então, é inclusão completa, qualquer pessoa pode assistir”, explicou.
A proposta, porém, não termina na exibição do filme. A IRI Brasil desenvolve atividades em universidades, escolas e comunidades religiosas, levando a produção para diferentes espaços onde possa servir como ponto de partida para conversas sobre sustentabilidade e preservação ambiental.
Jane explica que o projeto busca dialogar com lideranças religiosas porque elas possuem influência e presença direta em suas comunidades. Por isso, o filme pode ser levado para diferentes tradições e espaços de espiritualidade.
“A gente atua nas universidades, nas escolas e também nas religiões. Nós acreditamos que o líder religioso tem um papel na sua comunidade e, através desse filme, a gente vai até a sua casa de terreiro, seja numa igreja evangélica, católica, numa religião de matriz africana, também na ayahuasca. Onde você tiver a sua espiritualidade, a gente leva esse filme para você assistir, para você poder conversar, para você poder tirar dúvidas”, afirmou.
A iniciativa também disponibiliza materiais complementares para quem deseja aprofundar o conhecimento sobre o tema. No site da organização, estão disponíveis conteúdos para redes sociais, spots de rádio e guias adaptados para diferentes tradições religiosas, além de materiais destinados a pessoas que não seguem nenhuma religião, mas têm interesse nas questões ambientais.
De acordo com Jane, todo o trabalho é realizado de forma gratuita e alcança os estados que integram a região amazônica. A iniciativa também possui um projeto aprovado pela ONU Brasil.
Uma viagem pela Amazônia
Durante a Expoacre, o público teve a oportunidade de experimentar o “Amazônia Viva”, filme imersivo de aproximadamente 10 minutos produzido em realidade virtual. A obra conduz o espectador por uma experiência em 360 graus pela região do Rio Tapajós.
Dirigido por Estevão Ciavatta, o filme conta com a participação da líder indígena Cacica Raquel Tupinambá, da comunidade Surucuá, e apresenta a floresta a partir da perspectiva de quem vive diretamente em seu território.
Jane ressalta que a produção utiliza imagens reais e a linguagem cinematográfica para criar uma experiência de imersão, e não apenas uma simulação feita por computação gráfica.
“Não é computação gráfica. É cinema. E tudo isso que eu te falei, nós estamos aqui gratuitamente para que a comunidade possa ter acesso a essa nova tecnologia”, destacou.
Para a coordenadora, o diferencial está justamente em utilizar uma tecnologia que já faz parte do cotidiano de muitas pessoas para tratar de um tema que diz respeito a toda a sociedade.
“O legal é você usar para falar da nossa floresta, para falar da defesa da vida e para falar do compromisso que todos nós precisamos ter com a floresta e com a defesa da vida”, afirmou.
O filme foi premiado no Barcelona Planet Film Festival, em 2023, e integra as ações da IRI Brasil voltadas à conscientização ambiental. A iniciativa também está relacionada à campanha “Pelo Direito de Respirar Ar Puro”, que aborda temas como conservação das florestas, equilíbrio climático e proteção dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
Projeto quer chegar às instituições
A participação na Expoacre serviu também para apresentar o trabalho a instituições e pessoas interessadas em levar a experiência para outros espaços. Jane reforça que escolas, universidades, comunidades religiosas e outras organizações podem solicitar a presença da equipe.
“A gente vai até a sua instituição, a gente leva esse filme, fala da nossa campanha e vamos trabalhar juntos”, convidou.
A proposta é transformar a experiência cinematográfica em uma ferramenta de educação e diálogo. Ao colocar o público dentro de uma representação imersiva da Amazônia, a iniciativa busca estimular não apenas o conhecimento, mas também uma reflexão sobre o papel de cada pessoa na preservação da floresta.
Na Expoacre, a tecnologia virou uma ponte para falar de sustentabilidade, espiritualidade e educação — levando uma mensagem sobre a Amazônia para diferentes públicos e mostrando que a defesa da floresta também pode ser construída a partir do diálogo com as comunidades.
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