Em entrevista concedida nesta sexta-feira (14) ao podcast Não Inviabilize, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou suas viagens ao Acre no início da carreira política para exemplificar o esforço necessário para a construção de uma liderança de alcance nacional.
Ao ser questionado sobre a renovação política em seu campo para as eleições de 2030, o presidente defendeu que novos nomes da esquerda precisam sair de seus estados de origem e percorrer o Brasil. Para ilustrar o diálogo que tem com seus aliados, Lula recorreu à própria memória de quando organizava o partido pelo país.
“Eu, para me tornar líder, saía de São Paulo, pegava um voo da Transbrasil, andava quatro horas para chegar no Acre para fazer reunião com 40 pessoas no meio do sol. E me esgoelava como se tivesse 1 milhão me ouvindo”, declarou o petista.
Para o presidente, a experiência de ter ido ao extremo Norte do país no início de sua trajetória demonstra a diferença entre a construção de uma liderança popular e o surgimento de figuras de destaque apenas nas redes sociais. “Liderança você precisa criar. Os quadros, nós temos”, completou, criticando o que chamou de “falsos líderes especialistas em falar bobagem” criados pela internet.
Durante a conversa, Lula destacou que, além dele e do ex-presidente Jair Bolsonaro, o país carece de projeções nacionais consolidadas atualmente. Entre os quadros do seu grupo político com potencial para assumir protagonismo nos próximos anos, citou nomes como Camilo Santana, Rui Costa, Rafael Fonteles, João Campos, Guilherme Boulos e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

