11/08/2026

Pneumologista alerta para aumento de casos de fibrose pulmonar em Rio Branco

Célia Rocha destaca importância do diagnóstico precoce e fala sobre nova medicação aprovada pela Anvisa

Por Anne Nascimento, ContilNet
Fibrose pode estar relacionada à exposição à poluição. — Foto: Reprodução

O número de pacientes com fibrose pulmonar tem aumentado em Rio Branco, segundo a pneumologista Célia Rocha. Ainda nesta terça-feira (11), a médica afirmou que tem percebido o crescimento de casos no atendimento e alertou para a necessidade de procurar um especialista diante dos primeiros sintomas.

A doença é crônica e progressiva e provoca o endurecimento do tecido dos pulmões. Com o avanço do quadro, a capacidade respiratória diminui gradualmente, podendo chegar a situações em que o paciente precisa utilizar oxigênio de forma contínua.

Para a pneumologista, um dos fatores que contribuem para o agravamento dos casos é a demora na busca por atendimento especializado. Segundo ela, muitos pacientes acabam adiando a investigação dos sintomas e chegam ao consultório quando a doença já avançou.

“É muito comum as pessoas irem jogando os seus problemas para a frente e não tomarem o devido cuidado de procurar um especialista. Quando o tratamento começa tarde, principalmente diante de outras doenças e comorbidades, a situação pode se tornar muito mais complicada”, alerta.

A fibrose pode estar relacionada à exposição à poluição, inclusive no ambiente de trabalho, contato com aves, doenças reumatológicas e fatores genéticos. Em muitos casos, entretanto, a origem da doença permanece desconhecida.

Entre os sintomas estão falta de ar, dificuldade para respirar, pressão no peito, dor nas costas e tosse, que pode ser seca ou acompanhada de secreção. Além disso, a progressão da doença pode comprometer cada vez mais a capacidade pulmonar e, em casos avançados, levar o paciente à necessidade de oxigênio permanente.

“É uma doença progressiva. O pulmão vai perdendo a sua capacidade, vai ficando cada vez mais rígido e o paciente vai tendo cada vez mais dificuldade para respirar”, explica a médica.

Nova droga traz esperança

Enquanto chama atenção para o aumento de pacientes, Célia também destaca uma novidade que pode ampliar as opções de tratamento. A nerandomilaste, nova molécula voltada às doenças pulmonares intersticiais, foi aprovada pela Anvisa e ainda aguarda as etapas de definição de preço para chegar ao mercado brasileiro.

“Mas apareceu uma luz. Depois de tantos anos de pesquisas em busca de uma nova alternativa para essas doenças, finalmente temos uma molécula que traz uma perspectiva muito importante para os pacientes”, afirma.

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Segundo Célia, a molécula atua sobre a fosfodiesterase 4B e poderá ser utilizada sozinha ou em associação com medicamentos que já fazem parte do tratamento da fibrose pulmonar, como pirfenidona e nintedanibe.

A expectativa, explica a médica, é que a nova opção ajude a retardar ainda mais a progressão da doença. A fibrose pulmonar não tem cura atualmente, mas o tratamento busca preservar por mais tempo a capacidade respiratória do paciente.

“Nós, pneumologistas, estamos muito contentes porque essa nova opção poderá ser utilizada isoladamente ou associada às outras drogas que já temos disponíveis”, diz.

Para Célia, a chegada de uma nova alternativa representa um avanço importante depois de anos de pesquisas. “Não estamos falando ainda em cura, mas em uma possibilidade de ganhar tempo, preservar a função pulmonar e melhorar o tratamento desses pacientes. É uma luz que surge no fim do túnel”, conclui.

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