O posicionamento do Ministério Público Federal (MPF) favorável ao abate de lhamas e alpacas apreendidas no Acre provocou reação de defensores da causa animal. Entre os que se manifestaram contra a medida está o Dr. Pacheco Roque, que defende alternativas para preservar a vida dos animais.
Segundo Pacheco, a possibilidade de abate é uma medida desproporcional diante da existência, segundo ele, de outras alternativas para lidar com eventuais riscos sanitários. Ele defende que sejam avaliadas medidas como vacinação ou até mesmo a repatriação dos animais.
“Ah, o problema é aftosa, febre aftosa, então vamos vacinar. Qual é o problema? É raiva? Vamos vacinar. Mas não chegar assim e matar. E os defensores dos animais e as pessoas que gostam de animais e o direito do ser vivo à vida como um animalzinho lindo, que traz tantas alegrias para a gente. Então, o mínimo que eles deveriam fazer é repatriar esses animais, mandar de volta no lugar de ficar pagando veterinário ou profissional para matar os animais”, disse.
O defensor também argumentou que, antes de qualquer decisão pelo abate, deveria ser considerada a possibilidade de levar os animais de volta ao país de origem. Para ele, uma mobilização da própria sociedade poderia ajudar a custear o transporte caso essa alternativa fosse autorizada pelas autoridades responsáveis.

Dr. Pacheco Roque defende alternativas para preservar a vida dos animais/Foto: reprodução
“Pegava esse dinheiro e repatria. Joga no Peru, aqui pertinho. Eu tenho certeza se a sociedade fizer uma vaquinha, conseguir transporte, se mobilizar, consegue. Repatriar ou alguém ficar responsável por isso. Mas matar, executar os animais, porque não, aí já é demais”, completou.
Pacheco também começou a articular uma possível mobilização popular contra o possível abate. A intenção, segundo ele, é reunir pessoas contrárias à medida para realizar uma manifestação em defesa das lhamas e alpacas.
“Estou falando com os amigos, se quiserem fazer a mobilização contra o protesto, ir lá para frente da ONG, onde vai ser. E também, se precisar, nós vamos lá para impedir isso. Nós vamos proteger esses animais, nós não vamos aceitar. Nós vamos se mobilizar, nós vamos criar um grupo. E nós não vamos aceitar isso não. A sociedade não vai aceitar, isso é um absurdo”, disse.
LEIA TAMBÉM: MPF aponta risco sanitário e defende abate de lhamas resgatadas no Acre
Ao longo da manifestação, Pacheco classificou a possibilidade de execução dos animais como um “absurdo” e um “crime contra os animais”.
Sobre o caso
O Ministério Público Federal (MPF) mudou de posicionamento e passou a defender o abate sanitário das lhamas e alpacas que permanecem no Acre após serem apreendidas pela fiscalização.
Os animais são considerados suscetíveis à febre aftosa, doença que pode representar risco para o rebanho bovino.
Segundo o Ministério da Agricultura, as lhamas e alpacas não possuem documentação sanitária suficiente para comprovar a procedência, a entrada regular no Brasil e o histórico de saúde. A ausência dessas informações impede, segundo o órgão, que o risco de introdução ou transmissão de doenças seja completamente descartado.
Uma vistoria realizada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) não identificou sinais clínicos de doenças infecciosas nos animais. Ainda assim, o Ministério da Agricultura considera que a avaliação visual não é suficiente para eliminar o risco sanitário.
Apesar do novo posicionamento do MPF, o sacrifício dos animais não está definido. A decisão sobre o destino das lhamas e alpacas caberá à Justiça Federal.
