O que parecia ser mais uma consulta de rotina para uma menina de 10 anos em tratamento contra um tumor cerebral maligno terminou com a descoberta de um esquema que, segundo a investigação, vinha acontecendo havia meses. O homem que atendia a criança em casa não era médico e usava o nome, o CRM, o carimbo e receituários de outros profissionais para prescrever medicamentos e solicitar exames. As informações são do g1.
D. dos S.S. foi preso em flagrante na quinta-feira (6), durante um atendimento à menina, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Neste sábado (8), a Justiça converteu a prisão em preventiva, considerando que a atuação do suspeito poderia colocar outras pessoas em risco.
Segundo a Polícia Civil, D. dos S.S. atendia a criança desde outubro de 2025 e teria realizado pelo menos seis consultas. Cada atendimento custava entre R$ 700 e R$ 1 mil.
A investigação aponta que o homem utilizava documentos e registros de médicos habilitados sem autorização. Durante as consultas, ele teria prescrito medicamentos, solicitado exames e feito encaminhamentos em nome de outro profissional.
A criança tem meduloblastoma grau IV, um tumor cerebral maligno, e enfrenta um tratamento delicado. Antes de ser atendida por D. dos S.S., ela havia passado por dez cirurgias, sete delas na cabeça.
Mãe desconfiou durante o tratamento
A farsa veio à tona depois que a mãe da menina começou a perceber inconsistências no atendimento. Entre os problemas identificados, segundo a família, estava uma sonda de alimentação que permaneceu cinco meses sem ser trocada.
Desconfiada, a mãe pesquisou o nome que aparecia no carimbo utilizado pelo suposto médico, Jeferson Targino Sampaio, no site do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj). Ela descobriu que a foto vinculada ao registro pertencia a outra pessoa e procurou a polícia.
Os agentes da 63ª DP (Japeri) acompanharam uma das consultas e prenderam D. dos S.S.em flagrante dentro da residência da família.
Justiça aponta risco de novos casos
Na audiência de custódia, a juíza Andressa Maria Ramos Ramundo considerou que havia indícios de que o homem não teria agido apenas uma vez. Para a magistrada, os atendimentos realizados durante meses e o uso reiterado da identidade de outro profissional indicam uma possível prática habitual.
A prisão preventiva foi determinada para impedir que o suspeito continue realizando atendimentos e para proteger outras pessoas.
D. dos S.S.foi autuado por exercício ilegal da medicina com fins lucrativos, entre outros crimes. A defesa não foi localizada pela reportagem.
