14/08/2026

Governo vai ouvir empresários antes de decidir resposta ao tarifaço dos EUA

Ministro da Fazenda diz que setores afetados serão consultados antes de eventual aplicação da lei

Por Anne Nascimento, ContilNet
Governo abriu oficialmente na quinta-feira (13) o processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade. — Foto: Washington Costa/Ministério da Fazenda

O governo brasileiro ainda não decidiu se vai aplicar medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos em resposta ao aumento das tarifas sobre produtos brasileiros. Antes de tomar uma decisão, o Ministério da Fazenda pretende ouvir empresários brasileiros e estrangeiros para medir os possíveis impactos de uma reação do país.

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (14) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, a consulta aos setores afetados será necessária para avaliar os efeitos de eventuais contramedidas sobre a economia e a competitividade das empresas brasileiras.

O governo abriu oficialmente na quinta-feira (13) o processo para avaliar a aplicação da Lei da Reciprocidade, criada para permitir respostas a medidas comerciais adotadas unilateralmente por outros países que prejudiquem o Brasil.

“O processo de reciprocidade em um país sério, e que quer ouvir quem é afetado pela reciprocidade, demanda oitiva de eventuais interessados e eventuais impactados por uma medida que pode vir ou não a ser adotada no futuro”, afirmou Durigan.

A reação brasileira ocorre após o governo de Donald Trump impor novas tarifas sobre parte das exportações brasileiras. A medida elevou em 37,5% os impostos sobre alguns produtos enviados aos Estados Unidos.

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Decisão ainda depende de análise

Durigan destacou que a Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional em 2025, mas ressaltou que sua aplicação exige cautela.

Pela legislação, o Brasil pode adotar contramedidas quando políticas ou práticas de outro país prejudicarem a competitividade econômica brasileira. Entre as possibilidades estão a criação de tributos ou taxas, o fim de benefícios tarifários e restrições à importação de bens e serviços.

A legislação estabelece ainda que, sempre que possível, as medidas brasileiras devem guardar proporção com o prejuízo econômico provocado pela ação do outro país.

A decisão sobre aplicar ou não as contramedidas será tomada pelo governo após a análise dos impactos e a manifestação dos setores envolvidos.

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