07/08/2026

7ª edição do Festival Jovens do Futuro é confirmada em Rio Branco

Evento ocorre nos próximos dias 5 e 6 de setembro

Por Redação ContilNet
A cantora e compositora Brisa Flow se apresentou no palco principal do Festival Jovens do Futuro. Foto: Hannah Lydia/Comitê Chico Mendes

O FJF está de volta! O Comitê Chico Mendes e o Movimento Jovens do Futuro confirmam a nova edição do Festival Jovens do Futuro para os dias 5 e 6 de setembro de 2026, em Rio Branco, Acre. Dessa vez, o tema do projeto será “Pertencer para Proteger”, promovendo o fortalecimento dos vínculos de pertencimento entre as juventudes acreanas, seu território e suas identidades coletivas.

Inspirado na carta-testamento deixada por Chico Mendes em 1988, que convocava as juventudes para uma onda de transformação, o festival nasceu em 2020 durante a pandemia e hoje se consolida como um espaço de artivismo, cultura e formação política na Amazônia. O evento busca aproximar a cidade da floresta e promover a justiça climática, contrapondo-se ao avanço do agronegócio e ao isolamento das juventudes periféricas e tradicionais.

Angela Mendes, presidenta do Comitê Chico Mendes, destaca a relevância política e estratégica da iniciativa em um momento decisivo para o país:

“O festival pode ser um espaço muito estratégico de mobilização da juventude para a ação. Acho que, quando a gente pensa em cultura de floresta e em caminhos de futuro, estamos falando de ação para conseguir almejar a possibilidade de um amanhã. Não é possível, com o cenário que temos hoje, ficar de braços cruzados. É preciso se movimentar, e acho que é isso que conecta a campanha ao festival. Vamos nos movimentar, vamos sonhar, mas, além de tudo, fazer”, afirma Angela.

Cultura de floresta é caminho de futuro

Inspirados na campanha “Cultura de floresta é caminho de futuro”, os organizadores buscam integrar as pautas das periferias urbanas e das comunidades da floresta. Em um estado impactado por crises climáticas severas e altas taxas de violência contra lideranças e mulheres, o festival propõe a coletividade como tecnologia de sobrevivência e transformação.

“Abrir esse diálogo com a sociedade é importante para a gente, inclusive, conectar a identidade da floresta com a identidade das periferias, porque são dois públicos que, ao longo da história, foram ficando à margem do direito a políticas públicas. O festival promove esses encontros e fortalece essa luta”, reflete a presidenta do Comitê.

Desmistificando o agronegócio e apontando caminhos

Além de promover a integração socioambiental, a campanha traz para o debate a desmistificação das narrativas dominantes na região, como a ideia de que o agronegócio impulsiona o desenvolvimento social da juventude amazônida. Angela Mendes reforça a importância da pesquisa feita diretamente pelos jovens e a necessidade de discutir alternativas econômicas reais e sustentáveis para o estado:

“É uma pesquisa feita de jovem para jovem, olhando esse mundo, esse cenário como ele está posto para a juventude, que normalmente não tem pesquisas sobre isso. Outra coisa que acho muito importante é olhar para essa perspectiva de que existe uma narrativa falsa de que o agro desenvolve, o que não é exatamente verdade. O agro importa para uma pessoa: para o próprio agro, para os próprios fazendeiros”, pontua a presidenta do Comitê.

Integrantes de movimentos sociais, comunicadores e lideranças jovens reunidos durante o painel Crias de Chico. Foto: Comitê Chico Mendes

Pertencer para proteger

Para o Comitê Chico Mendes, não se protege o que não se conhece nem aquilo a que não se sente pertencer. A sétima edição reúne ativistas, artistas, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+ para discutir alternativas reais socioambientais, como a transição ecológica justa e a agroecologia.

“Acho que, mais do que nunca, se a gente quer reduzir desigualdades e promover justiça social, precisa entender que o legado que o Chico deixa é uma das soluções possíveis”, reitera Mendes.

A programação de dois dias em Rio Branco contará com a realização do 3º painel Crias de Chico, o lançamento da primeira pesquisa do Núcleo “Juventudes, Clima e Economia” e apresentações culturais com artistas locais e uma atração nacional no dia 6 de setembro, com mais detalhes sendo divulgados em breve.

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