Longe de ser apenas um elemento estético, a pintura corporal com jenipapo carrega um significado ancestral de proteção à saúde física e espiritual entre os povos indígenas do Acre. Na Aldeia Shanenawa Morada Nova, localizada no município de Feijó, a tradição é aplicada desde os primeiros dias de vida das crianças como parte do processo de inserção cultural e fortalecimento do organismo.
Um registro compartilhado por Liliane Taira mostra a prática do banho e do fortalecimento de recém-nascidos na comunidade. No vídeo, um liderança indígena explica o fundamento da tradição, fundamentada na neutralização de ameaças da floresta e de enfermidades.
De acordo com o relato tradicional, o corpo humano recém-nascido possui uma natureza “doce”, o que atrai insetos, animais peçonhentos e complicações de saúde. A aplicação do sumo do fruta atua justamente para alterar essa condição e garantir a imunidade da criança.
“Nossa carne é doce, por isso que marimbondo ferra, cobra pica, arraia ferra, porque nossa carne é doce, e doença gosta de carne doce. Quando a criança nasce, dá o banho de jenipapo amargo. Como o corpo tá amargo, tá imune, então ela tá protegida das doenças”, explica o morador no registro.
Além do caráter protetivo contra pragas e mal-estares espirituais, o ritual com o jenipapo — que deixa a pele escura por dias — marca o batismo e a preparação do bebê para os festejos da aldeia. Desde cedo, as crianças são ornamentadas com grafismos e pulseiras tradicionais para participarem das atividades coletivas do povo Shanenawa.
Veja o vídeo:
