A velha piada de que o Acre “não existe” voltou ao centro das discussões nas redes sociais, e desta vez ganhou análise de quem entende de marketing. Em um vídeo publicado no TikTok, o publicitário acreano Roberto Guedes, que atualmente vive em São Paulo, comentou a repercussão de uma provocação do Burger King sobre a ausência do McDonald’s no estado e transformou o assunto em uma reflexão sobre memória de marca e oportunidade de mercado.
“Eu sou acreano e toda vez quando eu falo que sou do Acre a reação é a mesma: surpresa. Surpresa pelo fato de eu existir e também pelo fato de não ter McDonald’s no Acre”, diz logo no início do vídeo.
Para Guedes, a campanha do Burger King aproveitou justamente um ponto curioso: mesmo sem presença física no estado, o McDonald’s continua presente no imaginário do consumidor.
“Na ausência do concorrente, quem domina a lembrança de marca? O Burger King, mas o McDonald’s também. Só que na hora de matar a vontade, só existe um”, comentou.
Acre, memes e marketing
Segundo o publicitário, o Acre costuma virar assunto nacional sempre que entra na conversa. E isso, na visão dele, representa uma oportunidade pouco explorada pelas próprias marcas locais. “Quando falam do Acre pelo Brasil sempre gera curiosidade, engaja muito. Tem muita coisa bacana para explorar quando o assunto é o Acre”, afirma.
Ele lembra que o estado já teve iniciativas próprias no universo do fast-food muito antes da chegada de grandes redes internacionais. “Quem não lembra do James Fast Food? Trouxe todo o layout moderno de fast-food antes de todo mundo”, recorda. Guedes também cita estabelecimentos tradicionais da capital acreana, como o Lira’s Lunch e o Naldão.
Sobre este último, ele destaca uma brincadeira que virou história local: o “Big Mac Naldão”, criado em tom de zoeira com um concorrente que sequer existia na cidade. “Tá aí a prova: o McDonald’s sempre existiu lá no Acre, mas só na lembrança e no desejo”, disse. “Quem chega primeiro ganha a narrativa”
O publicitário afirma que o debate vai além de preferências por uma rede ou outra. Para ele, a questão principal é estratégica. “Não é sobre gostar ou não do McDonald’s, ou se ele vai durar ou falir no Acre. É sobre oportunidade, ousadia, memória e desejo do consumidor”, analisa.
Ele finaliza com uma frase que resume sua visão sobre marketing e posicionamento de marca.“Quem chega primeiro não ganha só o cliente. Ganha a narrativa. E narrativa bem construída vira memória de marca”.
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