Mais de 53 mil famílias acreanas estavam endividadas em julho, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC), com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC). O índice chegou a 82,7% das famílias, o maior registrado no estado nos últimos 12 meses.
Em junho, o percentual era de 82,4%, o equivalente a 51.240 famílias. No mês seguinte, o número subiu para 53.135, um aumento de 1.895 famílias em apenas um mês.
Apesar da alta no endividamento, o levantamento mostra uma redução no número de famílias que afirmam não ter condições de quitar as dívidas. O contingente caiu de 17.332 para 17.139, uma redução de 1,13%.
Outro dado que chama atenção é o tempo médio de atraso. Entre as famílias endividadas no Acre, as dívidas estão atrasadas, em média, há 63,1 dias. Segundo a Fecomércio-AC, esse período vem aumentando desde julho do ano passado.
A maior concentração do endividamento está entre famílias com renda de até 10 salários mínimos, com destaque para aquelas que recebem até três salários mínimos. Nesse grupo, o comprometimento da renda com dívidas supera 50%.
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Cartão de crédito é apontado como principal preocupação
O uso do cartão de crédito aparece como um dos principais fatores relacionados ao aumento do endividamento entre as famílias de menor renda.
“Mais uma vez, o uso inconsciente do cartão de crédito eleva o número de famílias endividadas, especificamente nas de baixa renda”, afirmou Egídio Garó, assessor da presidência da Fecomércio-AC.
Segundo ele, mesmo com a implementação do Desenrola 2.0, os indicadores permanecem elevados. “Os indicadores ainda são elevados, podendo, por premissa, indicar que as famílias não tomaram conhecimento do programa, o que ajudaria a diminuir o número do endividamento no Estado”, avaliou.
Garó também citou a taxa básica de juros como um fator que pode influenciar a renegociação das dívidas. Para ele, uma eventual redução da Selic poderia, no médio prazo, diminuir o impacto dos débitos e facilitar acordos com parcelas menores.
Cenário nacional
No Brasil, o percentual de famílias endividadas também aumentou em julho e chegou a 82%, o equivalente a cerca de 14,97 milhões de famílias. O índice é o maior desde janeiro, quando havia alcançado 79,2%.
Por outro lado, a parcela de famílias brasileiras com dívidas em atraso apresentou uma pequena queda, passando de 29,9% em junho para 29,8% em julho.
