Sabatinas do ContilNet na Expoacre expõem estratégias dos pré-candidatos
As sabatinas promovidas pelo ContilNet durante a Expoacre 2026 funcionaram como um dos primeiros grandes palcos para que os pré-candidatos ao Governo do Acre e ao Senado apresentassem suas ideias, defendessem alianças e revelassem como pretendem conduzir a campanha eleitoral deste ano.
Ao longo das entrevistas, passaram pelo estúdio nomes de diferentes campos políticos e com estratégias bastante distintas. Se alguns apostam na continuidade da atual gestão, outros apresentam a mudança como principal bandeira. Há ainda quem tente se colocar como alternativa à polarização e candidatos que defendem uma ruptura mais profunda com o modelo político adotado no Estado nas últimas décadas.
No Governo, Mailza Assis, Alan Rick, Tião Bocalom, Thor Dantas, Dr. Luisinho e Eudo Rafael apresentaram leituras diferentes sobre os problemas do Acre e sobre o caminho que o Estado deveria seguir.
No Senado, Gladson Camelí, Márcio Bittar, Jorge Viana, Sérgio Petecão, Mara Rocha, Eduardo Velloso e Júnior Feitosa também deixaram mais claras suas estratégias eleitorais.
Governo: continuidade, mudança e diferentes projetos
Mailza Assis: continuidade com cautela diante das pesquisas
Pré-candidata à reeleição, Mailza Assis adotou durante a sabatina um discurso de continuidade, mas evitou transformar os resultados das pesquisas em garantia de vitória.
A governadora comentou o levantamento que, pela primeira vez, colocou seu nome à frente do senador Alan Rick e classificou o resultado como um “retrato do momento”.
Para Mailza, as pesquisas servem como referência, mas não substituem o trabalho realizado pela gestão. Ela afirmou que passou os últimos meses concentrada em entregas, viagens aos municípios e contato com a população, sem trabalhar pensando exclusivamente nos números dos levantamentos.
A governadora também avaliou que o eleitor só agora começa a voltar sua atenção para a disputa, depois da realização das convenções e da definição das alianças.
Outro tema importante da sabatina foi a eleição presidencial. Mailza afirmou que costuma seguir as decisões do seu partido, mas reconheceu que existe uma preferência do eleitorado acreano pelo senador Flávio Bolsonaro.
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A posição mostra a tentativa de equilibrar a fidelidade partidária com a realidade do eleitorado local, especialmente em um Estado onde o bolsonarismo mantém força.
Alan Rick: mudança como principal argumento
Alan Rick aparece como um dos principais nomes da oposição e tem construído sua candidatura ao Governo em torno do discurso de mudança.
O senador foi citado diversas vezes pelos demais candidatos durante as sabatinas, especialmente quando o assunto foi a escolha dos grupos políticos para a disputa estadual.
Sérgio Petecão, que declarou apoio a Alan, afirmou que conversou com o senador antes de tomar sua decisão e concluiu que ele seria o nome mais preparado para governar o Acre.
Petecão destacou a experiência de Alan como deputado federal e senador e afirmou que ele conhece os caminhos de Brasília e teria condições de buscar recursos e investimentos para o Estado.
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O senador também disse perceber, em suas conversas com eleitores, um desejo de mudança e afirmou que Alan seria quem melhor representa esse sentimento.
A estratégia de Alan, portanto, está diretamente associada à ideia de renovação do comando do Executivo estadual.
Tião Bocalom: contra as pesquisas e em busca de recuperação
Ex-prefeito de Rio Branco e pré-candidato ao Governo pelo PSDB, Tião Bocalom escolheu confrontar os resultados das pesquisas durante sua sabatina.
Naquele momento, o tucano aparecia em terceiro lugar em um levantamento do Real Time Big Data, atrás de Alan Rick e Mailza Assis.
Bocalom afirmou que não acredita nos números dos institutos e recorreu à própria trajetória para justificar sua posição.
Ele lembrou a eleição de 2010, quando disputou o Governo contra Jorge Viana, e afirmou que as pesquisas daquela época apontavam uma vantagem muito maior para o petista do que a diferença efetivamente registrada nas urnas.
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A mensagem foi de que a campanha ainda está no início e que o desempenho atual não necessariamente será repetido no dia da eleição.
A candidatura de Bocalom também ganhou um reforço importante com a chegada de Eduardo Velloso à sua chapa para o Senado.
Thor Dantas: contra a polarização entre esquerda e direita
O médico Thor Dantas, do PSB, apresentou uma estratégia diferente dos demais candidatos.
Na sabatina, afirmou que a eleição não será definida pela divisão entre esquerda e direita porque, segundo ele, o eleitor está mais preocupado em encontrar alguém em quem confie.
Thor disse que a população estaria decepcionada com as escolhas políticas feitas nos últimos anos e procurando nomes capazes de apresentar resultados.
Também criticou os extremos ideológicos. Para o médico, tanto o radicalismo da direita quanto o da esquerda afastam o eleitor que busca equilíbrio e eficiência.
Para o médico, tanto o radicalismo da direita quanto o da esquerda afastam o eleitor/Foto: ContilNet
Ao analisar o atual governo, Thor afirmou que o grupo liderado por Gladson Camelí teve a oportunidade de administrar o Estado, mas não conseguiu apresentar respostas satisfatórias para problemas como saúde, educação e infraestrutura.
A candidatura tenta, assim, ocupar um espaço progressista moderado e apresentar a rejeição à polarização como uma alternativa eleitoral.
Dr. Luisinho: emprego como estratégia contra a criminalidade
Pré-candidato pelo Agir, Dr. Luisinho apresentou durante a sabatina uma proposta centrada na relação entre desenvolvimento econômico, emprego e segurança pública.
Ao ser questionado sobre criminalidade, o médico afirmou que a geração de empregos deveria ser tratada como uma das principais políticas sociais do Estado.
Dr. Luisinho defendeu que o emprego é o principal meio de combate ao crime organizado/Foto: ContilNet
Para ele, a falta de oportunidades, especialmente entre os jovens, contribui para a entrada de parte dessa população na criminalidade.
Dr. Luisinho defendeu investimentos em qualificação profissional e geração de renda como instrumentos para reduzir a vulnerabilidade social.
“O maior programa social de um Estado e de uma nação é o emprego”, resumiu.
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O pré-candidato também chamou atenção pela maneira como tratou a questão das facções criminosas. Ele afirmou que prefere utilizar a expressão “crime desorganizado” em vez de “crime organizado”, sob o argumento de que não gostaria de dar a ideia de estruturação dessas organizações.
O discurso coloca a segurança pública dentro de uma agenda mais ampla de desenvolvimento social, com foco na criação de oportunidades para os jovens.
Eudo Rafael: crítica aos dois modelos que governaram o Acre
Pré-candidato do PCB, Eudo Rafael apresentou o discurso de ruptura mais acentuado entre os candidatos ao Governo.
Durante a sabatina, criticou tanto a antiga Frente Popular do Acre quanto o grupo político que assumiu o governo a partir de 2019.
Eudo reconheceu os investimentos em infraestrutura realizados pelos governos da Frente Popular, mas afirmou que o projeto perdeu sua capacidade de transformação e passou a se limitar ao gerenciamento da máquina pública.
Segundo ele, a aproximação da antiga Frente Popular com grupos que antes eram adversários também contribuiu para a perda de identidade política.
Mas o candidato também criticou a direita. Para Eudo, a mudança de grupo político no comando do Estado não representou uma ruptura com o modelo econômico anterior.
Ele afirmou que a direita teria prometido fazer “certo pelo mesmo caminho”, mantendo uma política voltada ao empresariado e à concentração de renda.
Sua candidatura tenta, portanto, apresentar o PCB como uma alternativa aos dois grupos que dominaram a política acreana nas últimas décadas.
Senado: alianças, experiência e identidade ideológica
Gladson Camelí: candidatura marcada por questão judicial e apoio a Flávio
Ex-governador e pré-candidato ao Senado, Gladson Camelí levou à sabatina uma questão que pode ser decisiva para sua candidatura: sua situação judicial.
Mesmo diante da possibilidade de uma decisão no STJ interferir em sua participação eleitoral, Gladson afirmou que se considera “candidatíssimo” e que não está esperando uma eventual decisão para se apresentar como pré-candidato.
Disse ainda que o eleitor será responsável por decidir seu futuro político nas urnas e pediu que adversários parem de espalhar informações falsas sobre sua situação.
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Outro ponto importante foi sua posição sobre Flávio Bolsonaro.
Gladson explicou que o apoio anunciado anteriormente ocorreu em um momento em que se discutia uma possível composição nacional envolvendo o Progressistas e a candidatura presidencial.
Mesmo com a mudança no cenário partidário, afirmou que, como eleitor, continuará votando em Flávio.
Também defendeu que o Acre precisa manter diálogo com qualquer presidente eleito, independentemente de sua orientação política, para garantir recursos e investimentos.
Sérgio Petecão: pragmatismo acima da polarização
Pré-candidato à reeleição pelo PSD, Sérgio Petecão apresentou um dos discursos mais pragmáticos entre os entrevistados.
O senador afirmou que acredita em pesquisas, mas disse que não pretende se deixar influenciar pelos números. Lembrou que foi o político mais votado da história do Acre em uma eleição para o Senado e afirmou que sua principal pesquisa é aquela que realiza diariamente nas ruas.
Petecão reconheceu que levantamentos recentes não o colocaram entre os primeiros colocados, mas disse que isso não muda sua estratégia.
Na disputa pelo Governo, confirmou apoio a Alan Rick e explicou que não chegou a conversar com Mailza sobre uma possível aliança. Segundo ele, após conversar com Alan, concluiu que o senador estaria mais preparado para administrar o Estado.
Mas foi ao falar sobre a Presidência da República que Petecão apresentou uma de suas posições mais marcantes.
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Embora o PSD tenha Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, o senador afirmou que Lula ajudou mais o Acre do que Jair Bolsonaro e citou ações federais em áreas como agricultura familiar e investimentos.
Petecão disse que, caso Caiado seja eleito, buscará recursos com ele. Se Flávio Bolsonaro vencer, fará o mesmo.
A mensagem é de que, para ele, a relação com o governo federal deve ser pautada pelo interesse do Acre, e não pela disputa ideológica.
Jorge Viana: experiência e reconstrução da força política
Jorge Viana apresentou uma candidatura baseada principalmente em sua experiência administrativa e política.
Ex-prefeito de Rio Branco, ex-governador e ex-senador, o petista defendeu a necessidade de o Acre recuperar força política em Brasília.
Ex-governador criticou antigos aliados que migraram de grupo político nos últimos anos/ Foto: Thauã Conde/Orna AudioVisual
Sua candidatura também representa uma tentativa de reconstrução da presença do campo progressista no Congresso Nacional.
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Jorge defende a capacidade de diálogo com diferentes governos e apresenta a experiência acumulada ao longo de décadas como um dos principais argumentos para retornar ao Senado.
Mara Rocha: apoio de Flávio como ativo eleitoral
Pré-candidata pelo Republicanos, Mara Rocha comemorou durante a sabatina o apoio declarado por Flávio Bolsonaro.
Ela lembrou sua atuação como deputada federal durante o governo Jair Bolsonaro e afirmou que ajudou a administração em decisões e pautas importantes.
Mara assumiu abertamente sua identidade política: disse ser conservadora, cristã e de direita e afirmou nunca ter escondido esse posicionamento.
Ao mesmo tempo, procurou ampliar o discurso ao afirmar que pretende ser uma senadora de todos os acreanos, independentemente da posição política de cada eleitor.
O apoio de Flávio coloca Mara diretamente na disputa pelo eleitorado bolsonarista e reforça sua posição dentro do campo conservador.
Marcio Bittar: fortalecimento no campo bolsonarista
Marcio Bittar também aparece como um dos principais nomes do campo conservador na disputa pelo Senado.
O senador passou a integrar oficialmente, ao lado de Mara Rocha, o grupo de candidatos ao Senado que conta com o apoio de Flávio Bolsonaro no Acre.
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A aliança reforça sua identificação com o eleitorado bolsonarista e transforma a disputa pelo Senado em uma das principais frentes do campo conservador no Estado.
Eduardo Velloso: a saída da base de Mailza
Pré-candidato ao Senado pelo Solidariedade, Eduardo Velloso explicou durante a sabatina por que deixou a base da governadora Mailza Assis e passou a integrar o grupo de Tião Bocalom.
Velloso afirmou que permaneceu no mesmo campo político desde 2018, ao lado de nomes como Bocalom e Alan Rick, mas não teve espaço para participar das conversas sobre a formação da chapa majoritária deste ano.
Ele disse que esperava ser chamado para discutir a disputa pelo Senado, inclusive como uma terceira opção dentro da chapa governista, mas isso não aconteceu.
A mudança veio depois de um convite direto de Bocalom.
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Velloso foi o primeiro pré-candidato ao Senado a participar da sabatina/Foto: Gabriel Bader/Orna Audiovisual
Segundo Velloso, o tucano lhe deu espaço para discutir propostas e o convenceu a participar do projeto, principalmente pela possibilidade de apresentar soluções para a saúde, área que considera um dos maiores gargalos do Acre.
O pré-candidato também defendeu o diálogo institucional com diferentes grupos políticos e citou sua relação com o ex-ministro das Cidades Jader Filho como exemplo de articulação capaz de gerar resultados para o Estado.
Júnior Feitosa: direita, mas sem blindagem para aliados
Júnior Feitosa, do Democracia Cristã, assumiu claramente sua posição à direita, mas procurou estabelecer uma diferença em relação ao bolsonarismo tradicional.
Ele afirmou respeitar Bolsonaro e compartilhar muitas de suas pautas, mas defendeu que políticos de direita também sejam responsabilizados quando cometem irregularidades.
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Feitosa criticou a ideia de proteger aliados políticos e afirmou que qualquer pessoa envolvida em desvio de recursos públicos deve ser investigada, seja de esquerda ou de direita.
O discurso procura apresentar uma direita com foco na fiscalização, na responsabilidade e no combate à corrupção, inclusive quando os investigados pertencem ao próprio campo político.
Uma eleição com narrativas muito diferentes
O conjunto das sabatinas mostra que a eleição de 2026 chega ao período oficial de campanha com diferentes projetos tentando disputar o mesmo eleitorado.
Na corrida pelo Governo, Mailza aposta na continuidade e nas entregas da gestão; Alan Rick se apresenta como alternativa de mudança; Bocalom tenta recuperar espaço apostando na própria trajetória e questionando as pesquisas; Thor Dantas procura ocupar um campo progressista moderado; Dr. Luisinho apresenta emprego e qualificação como instrumentos de combate à criminalidade; e Eudo Rafael defende uma ruptura mais profunda com os modelos que governaram o Acre nas últimas décadas.
No Senado, a disputa é ainda mais fragmentada
Gladson Camelí aposta na experiência como ex-governador e na força política construída nos últimos anos, enquanto enfrenta uma questão judicial que pode interferir em sua candidatura.
Petecão tenta preservar seu espaço com um discurso pragmático e uma postura de diálogo com qualquer governo que possa beneficiar o Acre.
Jorge Viana apresenta a experiência política e a capacidade de articulação em Brasília como principais ativos.
Bittar e Mara Rocha disputam um eleitorado fortemente identificado com Bolsonaro, enquanto Júnior Feitosa tenta ocupar uma faixa semelhante, mas com discurso próprio de fiscalização.
Eduardo Velloso representa uma candidatura que nasceu justamente de uma movimentação dentro do próprio campo político que chegou ao poder em 2019. Sua saída da base de Mailza e aproximação com Bocalom acrescenta mais uma variável à disputa.
As entrevistas também deixaram claro que a eleição presidencial terá peso importante no Acre. Flávio Bolsonaro aparece como uma das principais forças entre os candidatos de direita, mas não é consenso: Petecão mantém Caiado como candidato, Mailza aguarda a definição partidária e Gladson afirma que seu apoio a Flávio é pessoal.
No campo progressista, Thor, Jorge Viana, Inácio Moreira e Eudo Rafael também apresentam discursos diferentes entre si, mostrando que a esquerda acreana está longe de ser um bloco homogêneo.
Mais do que apresentar propostas, as sabatinas do ContilNet na Expoacre ajudaram a revelar como cada pré-candidato pretende se posicionar diante de um eleitor que será disputado por narrativas de continuidade, mudança, experiência, renovação e ruptura.
Agora, com a aproximação da campanha oficial, o desafio será transformar essas narrativas em conexão com o eleitor — e, principalmente, em voto.